NOSSA VISÃO – 20/01/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco se beneficiaram do noticiário positivo, com destaque para a assinatura do acordo comercial em primeira fase entre EUA e China e início das negociações para novo acordo que abordará questões pendentes, ficando em segundo plano as tensões entre EUA e Irã, que deram sinais de arrefecimento.

Em relação ao acordo comercial, a China se comprometeu a importar US$ 200 bilhões em produtos norte americanos, incluindo produtos agrícolas, para reduzir o déficit comercial entre as duas nações. Em contrapartida, os EUA suspendem parcialmente as taxas alfandegárias sobre bens importados da China.

Nos EUA, as leituras da inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de dezembro vieram abaixo do esperado em todos os setores, não mostrando nenhuma pressão real sobre os preços.  O índice subiu 0,2% em dezembro, após subir 0,3% em novembro, conforme divulgou o Departamento de Trabalho. O núcleo do CPI avançou apenas 0,1%, elevando as chances do Federal Reserve (FED, na sigla em inglês) a no mínimo não elevar o juro em um futuro próximo.

Ainda por lá, foi revelado o Livro Bege, que mostrou uma atividade econômica se expandindo moderadamente e que os gastos do consumidor crescendo a um ritmo modesto. Quanto ao mercado de trabalho, o documento revelou uma escassez generalizada de mão de obra especializada, especialmente no setor bancário e de TI. O Livro Bege é publicado duas semanas antes de cada reunião de política monetária do FED, e é visto como um instrumento que influencia os membros do colegiado.

Na China, foi divulgado que o PIB cresceu a um ritmo de 6,1% em 2019, o menor avanço em 29 anos.  No entanto, os números revelados mostram que a economia chinesa terminou o ano em um ritmo mais firme, depois de perder o fôlego nos três primeiros trimestres do ano. O resultado sugere que uma série de medidas de estímulo ao crescimento tomadas nos últimos meses pode estar começando a surtir efeitos.

Na zona do euro, conforme divulgou a agência Eurostat, a inflação da região medida pelo CPI fechou 2019 em 1,3%, ganhando força em relação ao aumento de 1,0% observado em novembro. Apesar do avanço, a inflação anual do bloco permanece bem abaixo da meta do Banco Central Europeu (BCE, na sigla em inglês), que é de uma taxa ligeiramente inferior a 2%.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de valorizações. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 0,32% e o FTSE-100, da bolsa inglesa, subiu 1,14%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, valorizou 1,97% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 0,80%.

Por aqui, destaque para a divulgação pelo Banco Central do IBC-Br, considerado a prévia do PIB, que avançou 0,18% em novembro ante outubro, acima das expectativas de alta de 0,10%, corroborando a mensagem de recuperação gradual da atividade econômica brasileira. Foi a quarta elevação mensal consecutiva. Com o avanço, o IBC-Br acumulou alta de 0,95% em 2019 até novembro, e alta de 1,10% em doze meses.

O IBGE revelou que as vendas no varejo cresceram 0,6% em novembro, ante expectativa de avanço de 1,1% em pesquisa da agência Reuters. No ano o comercio varejista acumula avanço de 1,7% e de 2,9% em doze meses.

Para a bolsa brasileira, a semana foi de recuperação dos preços. O Ibovespa avançou 2,58% na semana, aos 118.478 pontos, acumulando valorização no ano de 2,45%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 4,165. Na semana, a moeda norte-americana avançou 1,73%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 0,22%, acumulando valorização de 0,07% no ano e valorização 19,45% em 12 meses.

 

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro reduziram a estimativa para o IPCA deste ano pela terceira semana consecutiva, para 3,56% ante os 3,58% da pesquisa anterior. O resultado continua abaixo da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a estimativa de inflação em 3,75%. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o mercado financeiro manteve pela oitava semana consecutiva suas apostas em relação à taxa de juros, informando que ao final de 2020 a taxa estará em 4,50%. Para 2021, a previsão é de que a Selic encerre o ano em 6,25%, mesma projeção da pesquisa anterior. Em dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Bacen cortou a Selic em 0,50 ponto porcentual, de 5,00% para 4,50% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo da taxa básica. No comunicado sobre a decisão, o Bacen não se comprometeu com novos cortes no início deste ano.

A expectativa de crescimento da economia em 2020, medida pelo PIB, passou a 2,31%, ante 2,30% da semana anterior. Há um mês, a estimativa estava fixada em 2,28%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão de expansão do PIB em 2,50%. Quatro semanas atrás, a expectativa estava nos mesmos 2,50%. Em dezembro o BACEN atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,80% para elevação de 2,20%.

A projeção para o dólar no fim de 2020 subiu de R$ 4,04 para R$ 4,05. Um mês atrás a estimativa era de R$ 4,10. Para o ano de 2021, a projeção para o câmbio se manteve em R$ 4,00 pela nona semana consecutiva.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, a mediana das previsões para 2020 foi mantida em US$ 80,00 bilhões, os mesmos US$ 80,00 bilhões de um mês antes. Para 2021, a expectativa foi reduzida para US$ 84,50 bilhões, ante US$ 84,75 bilhões de uma semana antes.

Perspectiva

Semana importante para a economia mundial, com o início do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. O Brasil estará representado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que participará de apresentações em painéis e falará sobre a redução do déficit fiscal e o aprofundamento das reformas estruturais no país.

Na agenda local, será divulgado o IPCA-15 de janeiro pelo IBGE. O índice é considerado uma prévia da inflação oficial do país, e mostrará se os efeitos do aumento de preços de alimentos sobre a inflação ficaram para trás.

Na zona do euro, destaque para a reunião de política monetária do BCE que decidirá sobre o rumo do juro da região.

Também serão revelados uma série de indicadores de atividades em vários países, com destaque para os PMIs compostos e industrial na zona do euro e nos EUA.

Em relação às aplicações dos RPPS aconselhamos o investimento de 25% dos recursos em fundos de investimento em títulos públicos que possuem a gestão do duration, produto a ser acompanhado com a devida atenção por conta das posições assumidas pelo gestor.

Para os vértices de longo prazo (especificamente o IMA-B Total) recomendamos um aumento da exposição para 15%, em razão do prêmio que ainda poderá ser capturado devido à taxa básica de juros na mínima histórica, além da pauta de reformas que deverão refletir na melhora do quadro fiscal do país.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total), a recomendação é para uma redução na exposição para 20%, e para os vértices de curto prazo, representados pelos fundos DI, pelos referenciados no IRFM-1 e pelos CDBs, a alocação sugerida passa a ser de 5%. Ambas as reduções estão relacionadas à taxa de juros doméstica na mínima histórica, com objetivo de redirecionar os recursos para os mercados com maiores possibilidades de ganhos.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição máxima de 30%, por conta da melhora do ambiente econômico neste ano, que já se refle em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores e também pelo fato da importância do produto como fator de diversificação de portfólio, em um momento em que as taxas de juros dos títulos públicos não mais superam a meta atuarial.

Para a alocação em fundos multimercado a nossa sugestão é uma redução para 5% dos recursos e de 2,5% a alocação em FII e FIP, respectivamente, dada a pouca disponibilidade de produtos no mercado enquadrados para os RPPS. Para o investimento em ações, a nossa recomendação é de aumento da exposição para 20% dos recursos, tendo-se em vista o potencial de crescimento das empresas neste e nos próximos anos em uma conjuntura de baixa inflação e taxas de juros nas mínimas históricas.

Para aqueles clientes que já contam com investimento de 5% tanto em FII, quanto em FIP, o ajuste das recomendações se dará através da redução no teto dos investimentos em ações.

Adicionamos na estratégia a recomendação de investimentos no segmento de investimentos no exterior, com um percentual máximo de 5%, devido à necessária diversificação da carteira na busca por investimentos descorrelacionados da taxa de juros doméstica, além do recente surgimento de produtos direcionados a este segmento.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –17/01/20

Índices de Referência –Dezembro/2019

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