NOSSA VISÃO – 01/07/2019

Retrospectiva

Sem dúvida, a grande notícia da semana que passou foi a conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Tendo sido iniciadas há 20 anos, as negociações foram interrompidas em 2004 e relançadas em 2010, até que na última sexta-feira foi concluída a parte comercial do acordo, que eliminará as tarifas de importação de mais de 90% dos produtos negociados entre os dois blocos.

Assim, os países do Mercosul e da União Europeia formarão uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Juntos os dois blocos representam cerca de 25% da economia mundial e um mercado de 780 milhões de pessoas.

Para o Brasil, segundo estimativa do Ministério da Economia, o acordo poderá gerar aumento do PIB de até R$ 125 bilhões em quinze anos e considera a redução das barreiras não-tarifárias e o incremento esperado na produtividade total dos fatores de produção. O presidente espera que o Congresso brasileiro seja um dos primeiros a aprovar o acordo.

Quanto à reforma da Previdência, a Câmara dos Deputados cancelou a reunião da comissão especial agendada para a última quinta-feira, em que o relator iria apresentar nova versão da proposta. Nesta segunda-feira o partido do presidente irá decidir se vai ou não apresentar destaques na votação do relatório, que deverá ser apresentado pelo relator no dia seguinte.

Em relação à economia internacional, merece destaque a reunião do G-20 realizada neste último final de semana, sendo que o principal fato acabou sendo o encontro entre o presidente americano e o chinês, em que uma nova trégua na guerra comercial entre os dois países foi anunciada, permitindo a retomada das negociações.

Na zona do euro, a estimativa inicial da agência Eurostat apontou que a inflação anual do consumidor em junho foi de 1,2%, a mesma do mês de maio, resultado que continua muito abaixo da meta de 2% do BCE.

Nos EUA, de acordo com a última estimativa, o PIB do primeiro trimestre de 2019 cresceu a uma taxa anual de 3,1%, com as despesas dos consumidores, que representa dois terços da atividade econômica do país crescendo 0,5%, o menor aumento do último ano.

Para os mercados de ações internacionais, a semana que passou foi mais de altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 1,70% e o FTSE-100, da bolsa inglesa 0,24%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana recuou 0,29% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa avançou 2,22%.

Em relação à economia brasileira, o IPC-S teve deflação de 0,02% em junho, depois de ter subido 0,22% em maio. Já o IGP-M acelerou para 0,80% em junho, depois de ter subido 0,45% no mês anterior.

Quanto ao IPCA-15, a alta de 0,06% em junho foi a mais baixa para o mês desde o ano de 2006, quando recuou 0,15%. No acumulado de doze meses a desaceleração foi 4,93% até maio, para 3,84% até junho.

Conforme o IBGE, a taxa de desemprego no Brasil foi de 12,3% no trimestre encerrado em maio, abaixo dos 12,4% do trimestre encerrado em abril. O número de desempregados era de 12,98 milhões de pessoas.

Em relação a ata da última reunião do Copom, foi reforçada a ideia de que a inflação pode ficar em torno da meta neste ano, em um cenário de taxa básica de juros mais baixa que os atuais 6,50% ao ano.

Para a bolsa brasileira, a semana foi de baixa. O Ibovespa caiu 1,03%, reduzindo a variação acumulada no ano para 14,88% e a de doze meses para 38,76%. O dólar, por sua vez, subiu 1,01% na semana e o IMA-B Total subiu 0,75%.

Relatório Focus

No Relatório Focus de 28 de junho, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,80% em 2019, frente a 3,82% na semana anterior. Para 2020 a estimativa é de que suba 3,91%, contra 3,95% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que, no fim de 2019 a taxa Selic estará em 5,50%, frente a 5,75% na pesquisa anterior e em 2020 em 6,00%, frente a 6,50% na pesquisa anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estimou a evolução do PIB em 0,85%, frente a 0,87% na semana anterior. Para 2020 a estimativa é que o PIB cresça 2,20%, como na semana anterior.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana deverá estar em R$ 3,80 no final do ano, como no último relatório e em R$ 3,80 no final de 2020, também como na semana anterior.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 85 bilhões em 2019, como na última pesquisa e de US$ 84,36 bilhões em 2020, frente a US$ 84,28 bilhões na pesquisa anterior.

Perspectiva

Nesta semana, na zona do euro, teremos a divulgação da taxa de desemprego e das vendas no varejo em maio.

Nos EUA, teremos a divulgação das encomendas à indústria em maio e da taxa de taxa de desemprego e criação de vagas de trabalho não rural em junho.

No Brasil, serão divulgados os dados parciais de inflação e a produção industrial em maio.

No exterior, em semana com feriado nos EUA, o relatório sobre o mercado de trabalho norte-americano é o dado mais importante. No Brasil o foco do mercado estará no avanço da proposta de reforma da Previdência.

Importante destacarmos a realização de nosso Comitê de Investimento na semana que passou. Em nossas análises enxergamos o cenário internacional mais tranquilo, principalmente no que diz respeito aos impactos de uma guerra comercial EUA x China. Considerados os fundamentos macroeconômicos, continuou prevalecendo uma inflação do consumidor muito baixa nos países desenvolvidos, o que pode até possibilitar a queda dos juros norte-americanos e da zona do euro, caso a atividade econômica fraqueje.

No Brasil, tem sido indiscutível a solidez do balanço dos pagamentos no aspecto internacional por um lado, bem como a baixa inflação em uma economia ainda fragilizada por outro lado. Não foi à toa que depois de um longo período estimando a taxa Selic em 6,50% no final deste ano, o mercado, através da Pesquisa Focus houve por bem reduzir essa estimativa para 5,50% no último relatório, o que possibilita quedas adicionais das taxas de juros praticadas nos mercados.  Há que se considerar também o otimismo com o avanço das reformas.

Assim, em relação às aplicações dos RPPS aconselhamos o investimento de 25% dos recursos em fundos de investimento em títulos públicos que possuem a gestão do duration, produto a ser acompanhado com a devida atenção por conta das posições assumidas pelo gestor.

Para os vértices de longo prazo (especificamente o IMA-B Total) passamos agora a recomendar uma exposição de 10%.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) reduzimos a recomendação para uma exposição de 25% e para os vértices de curto prazo, representados pelos fundos DI, pelos referenciados no IRFM-1 e pelos CDB’s a alocação agora sugerida é de 10%.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento e as exigências da nova resolução editada pelo CMN, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo).

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição máxima de 30%, por conta da melhora do ambiente econômico neste ano, que já se refle em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores e também pelo fato da importância do produto como fator de diversificação de portfolio, em um momento em que as taxas de juros dos títulos públicos não mais superam a meta atuarial.

Para a alocação em fundos multimercado a nossa sugestão é de 10% dos recursos e de 2,5% a alocação em FII e FIP, respectivamente, dada a pouca disponibilidade de produtos no mercado enquadrados para os RPPS. Para o investimento em ações, a nossa recomendação é de 15% dos recursos, tendo-se em vista o potencial de crescimento das empresas neste e nos próximos anos, como já dissemos, em uma conjuntura de baixa inflação e taxas de juros nas mínimas históricas. Muito embora ainda esteja no campo das expectativas, a implementação das reformas estruturais demandadas pelo mercado em muito também poderão influenciar o comportamento positivo das ações, no futuro.

Para aqueles clientes que já contam com investimento de 5% tanto em FII, quanto em FIP, recomendamos que o teto de investimento em ações se mantenha em 10%.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

* Aos clientes que investem em FIDC / Crédito Privado / Fundo Debênture, utilizar como limite máximo o percentual destinado ao Médio Prazo.

** Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição de 15% aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –28/06/19

Índices de Referência –Maio/2019

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