Nossa Visão – 11/06/2018

Retrospectiva

O cenário externo, com o dólar se valorizando perante outras moedas, principalmente as dos países emergentes e as consequências da greve dos caminhoneiros, trouxeram para os mercados financeiro e de capitais do Brasil, um nível de volatilidade que lembrou o fatídico 17 de maio de 2017.

O Tesouro Nacional, por conta da disparidade das taxas, foi obrigado, por mais de uma vez a suspender as negociações dos títulos públicos e o Banco Central a anunciar intervenção mais intensa no mercado de câmbio. Na última quinta-feira o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, fez pronunciamento em que afastou a possibilidade de se utilizar de um aumento extraordinário da taxa de juros para conter a alta do dólar e afirmou que a política monetária não serve ao propósito de conter a desvalorização do real, muito embora muitos no mercado acreditem que o dólar mais caro pode pressionar bastante a inflação e levar o BC a elevar a taxa Selic.

Embora o presidente do BC tenha também afirmado que poderão ser usados outros instrumentos para prover liquidez ao mercado de câmbio, inclusive o uso de reservas cambiais, para o ex-presidente do BC, Gustavo Loyola são limitados os instrumentos que a autoridade monetária dispõe e que não se pode mexer nas reservas internacionais do país. Ele acredita que ainda é cedo para saber a extensão da atual crise e que a grande preocupação é com a frágil situação fiscal do país.

Ainda na quinta-feira, um dos mais respeitados gestores do país, Rogério Xavier da SPX Capital, fez discurso em evento promovido pelo Banco BTG, no qual fez uma análise extremamente pessimista do país. Acredita que o PIB deva crescer apenas 0,8% em 2018, que o dólar pode chegar a R$ 5,30, que o BC deverá subir os juros rapidamente (o que provocou a manifestação do presidente do BC à noite) e para piorar a taxa de juros nos EUA pode explodir, com o rendimento do título público de 10 anos saindo do atual cerca de 3% ao ano, para 6%.

Independente da previsão catastrófica do gestor, para o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, “caiu a ficha” do mercado. Os fundamentos mostram que o país está em uma tremenda dificuldade fiscal e na política o leque de candidatos à presidência não está animando o eleitorado. E que houve uma mudança no humor externo e interno e que, portanto, não é irracional o que está acontecendo. A mudança de humor acabou por expor o quadro atual do país, que é extremamente complicado.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, o PIB do primeiro trimestre de 2018 cresceu 0,4%, frente ao trimestre anterior e 2,5% na base anual, conforme a última estimativa da agência Eurostat.

Já as vendas no varejo em abril decepcionaram com a alta de apenas 0,1%, frente a março. Quando se previa uma alta de 0,6%. Na comparação anual as vendas cresceram 1,7%.

Nos EUA, as novas encomendas à indústria caíram mais que o esperado em abril, pressionadas pela queda na demanda por equipamentos e máquinas de transporte. A queda foi de 0,8% no mês, mas na base anual o avanço foi de 8,3%.

Para os mercados de ações internacionais, a semana passada foi mais de altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 0,33%, o FTSE-100, da bolsa inglesa recuou 0,27%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana subiu 1,62%, e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 2,36%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-S subiu 0,70% na primeira leitura de junho, depois de subir 0,41% na última de maio. Já o IGP-M, a inflação do aluguel, registrou alta de 1,50% na primeira semana de junho, após haver subido 1,12% um mês antes.

Conforme o IBGE, a inflação do mês de maio, medida através do IPCA, avançou 0,40%, depois de ter subido 0,22% em abril, puxada pelos aumentos da gasolina, do óleo diesel e da conta de luz. No acumulado de 12 meses, o índice subiu 2,86%. O INPC, por sua vez, subiu 0,43% em maio, 1,12% acumulado no ano e 1,76% em doze meses.

Para a bolsa brasileira, foi uma semana de nova e importante queda, com o Ibovespa recuando 5,56%. Assim, o ganho acumulado no ano transformou-se numa perda de 4,53%. O dólar, por sua vez, subiu 1,19%, elevando a alta no ano para 14,45%. O IMA-B Total, por sua vez caiu 1,46% na semana, acumulando alta de apenas 0,20% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus recém-divulgado, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,82% em 2018, frente a 3,65% na semana anterior. Para 2019 a estimativa é de que suba 4,07%, frente a 4,01% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que, para o fim de 2018 a taxa Selic estará em 6,50%, como na última pesquisa e em 8% no final de 2019, também como na pesquisa anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estimou a evolução do PIB em 1,94%, frente a 2,18% na semana anterior. Para 2019 a estimativa é que o PIB cresça 2,80%, frente a 3% na semana anterior.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,50, como no último relatório e em R$ 3,50 no final de 2019, também como na semana anterior.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 71 bilhões em 2018, frente a US$ 75 na última pesquisa e de US$ 77 bilhões em 2019, frente a US$ 80 bilhões na pesquisa anterior.

Perspectiva

Nesta semana, na zona do euro, teremos nova reunião do BCE, que deliberará sobre as taxas de juros e a divulgação da produção industrial em abril e da última estimativa da inflação do consumidor em maio.

Para muitos economistas e analistas financeiros, esta semana poderá ser a semana mais importante do ano, em termos de divulgações e eventos para o mercado financeiro e de capitais. Além do encontro histórico do presidente Trump com o presidente da Coréia do Norte Kim Jong Um, na zona do Euro teremos reunião de política monetária do BCE e nos EUA teremos a reunião do comitê de política monetária do FED, em que um novo aumento da taxa básica de juros é esperado.

No Brasil, em um momento tenso nos mercados,teremos além da divulgação dos indicadores parciais de inflação, a do IBC-Br de abril.

Quanto às aplicações financeiras dos RPPS, diante dos últimos acontecimentos que terão forte impacto no lado fiscal do setor público consolidado e após a realização de reunião de nosso Comitê de Investimento, passamos a não mais recomendar exposição ao vértice de longo prazo, representado pelo IMA-B Total, nem por conta de diversificação. Continuamos a considerar de 10%, a exposição em fundos de investimento em títulos públicos que possuem a gestão do duration, produto a ser acompanhado com a maior atenção.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) recomendamos uma exposição de 25% e para os vértices de curto prazo, representados pelos fundos DI, pelos referenciados no IRFM-1 e pelos CDB’s aumentamos a alocação sugerid de 20%, para 35%. Lembramos que para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 4.604/2017, o percentual máximo de alocação em fundos DI passou a ser de 40%.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento e as exigências da nova resolução editada pelo CMN, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar a exposição máxima de 30%, por conta da melhora da atividade econômica neste ano, que já se refle em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores e também pelo fato da importância do produto como fator de diversificação de portfolio, em um momento em que as taxas de juros dos títulos públicos não mais supre a meta atuarial. Assim, já incluídas as alocações em fundos multimercado (10%) que com a nova resolução ficaram maiores, continua a mesma em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), sendo que a alocação em ações, com o novo perfil dos fundos multimercado passou a ser de 10%.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 08/06/2018

Índices de Referência – Maio/2018

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