Nossa Visão – 02/10/2017

Retrospectiva

No lado político, as coisas continuaram complicadas. Enquanto a maioria dos ministros da primeira turma do STF decidiu afastar novamente o senador Aécio Neves de seu mandato, os deputados aprovaram, por margem muito estreita, a garantia de foro privilegiado ao ministro Moreira Franco, do PMDB, ao reconhecer o status de ministério do posto quer ocupa. Cresceram as dificuldades do governo, para aprovações no Congresso Nacional, no momento em que as denúncias contra o presidente Temer aguardam votação.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a inflação do consumidor ficou novamente em 1,5% na base anual, em setembro. Por sua vez, a confiança econômica na região atingiu o maior nível em dez anos, segundo estudo mensal publicado pela Comissão Europeia.

Nos EUA, a terceira e última revisão do PIB do segundo trimestre revelou que o avanço da atividade econômica foi de 3,1%, frente a 3% da última revisão. Por outro lado, a confiança dos consumidores caiu levemente em setembro, como esperavam os analistas.

Em uma semana marcada por pronunciamentos de membros do FED, a sua presidente, Janet Yellen afirmou que altas graduais das taxas de juros deverão continuar, apesar da inflação ainda fraca.

Nos mercados de ações internacionais a semana foi novamente de altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 1,88%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, avançou 0,75%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,68% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 0,29%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-S, que havia caído 0,07% na terceira quadrissemana de setembro, encerrou o mês com queda de 0,02%, depois de haver registrado alta de 0,13% em agosto. Contrariamente o IGP-M, a inflação do aluguel, depois de haver subido 0,10% em agosto, acelerou a alta para 0,47% em setembro, por conta principalmente do avanço dos preços dos combustíveis e lubrificantes.

Também foi divulgada pelo IBGE, a taxa de desemprego no trimestre findo em agosto, que recuou para 12,6%, depois de ter registrado 13,3% no final do trimestre encerrado em maio. A taxa anunciada representou 13,1 milhões de pessoas desempregadas.

Do lado fiscal foi anunciado que o déficit primário do setor público consolidado foi de R$ 9,5 bilhões em agosto, abaixo das estimativas dos analistas, enquanto no setor externo, o déficit em transações correntes foi de R$ 302 milhões também em agosto.

Para a bolsa brasileira, foi uma semana de baixa, com o Ibovespa caindo 1,45%, mas acumulando alta de 23,36% no ano e de 27,29% em doze meses. O dólar, por sua vez subiu 1,26%, reduzindo a variação negativa para 2,80% no ano. O IMA-B Total, por sua vez avançou 0,11% na semana, acumulando alta de 13,16% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 2,95% em 2017, frente a expectativa de 2,97% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,06%, frente a 4,08% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que agora, para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 7%, como na pesquisa anterior e para o final de 2018 também em 7%, como na última pesquisa.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,70%, frente a 0,68% na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,38%, comparado a 2,30% no último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,16, no fim de 2017, como na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,30, também como no último relatório.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 75 bilhões em 2017 e 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, das vendas no varejo e da taxa de desemprego em agosto e do PMI industrial em setembro.

Nos EUA, teremos a divulgação do PMI industrial, da taxa de desemprego em setembro e das encomendas à indústria em agosto.

No Brasil, serão divulgados os indicadores parciais de inflação, o IPCA de setembro e a produção industrial em agosto.

No exterior, as atenções estarão voltadas para a criação de novas vagas de trabalho e a taxa de desemprego nos EUA e no Brasil, teremos a divulgação do IPCA de setembro como o principal evento.

Entendemos que, dado o expressivo avanço já ocorrido com os índices que referenciam os fundos de investimentos em títulos públicos, em julho, agosto e setembro, no ano e em doze meses, por conta da queda da inflação e da redução da taxa Selic, o momento é de realização dos lucros obtidos com as aplicações de longuíssimo prazo.

Permanecer com uma exposição no vértice de longuíssimo prazo neste momento de ainda grandes incertezas, pode não representar ganhos expressivos em função do fator risco a ser incorrido. Assim, recomendamos uma exposição de 30% no vértice de longo prazo, representado pelo IMA-B Total.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) mantemos a nossa recomendação de uma exposição de 10%. Os recursos saídos do longuíssimo prazo deverão ser migrados para as aplicações em fundos DI, cuja alocação agora sugerida é de 30% e para as aplicações no IRF-M 1, com alocação sugerida de 5%. Lembramos que para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 3.922/2010, o percentual máximo de alocação em fundos enquadrados no Artigo 7º, Inciso IV é de 30%. A estratégia ora recomendada mantém a perspectiva de bom retorno ao mesmo tempo em que reduz o risco total da carteira.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, passamos a recomendar a exposição máxima de 30%, por conta da crescente melhoria das expectativas com a atividade econômica no próximo ano, que deverá refletir em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores. Assim, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), a alta na parcela de renda variável para 30%, considera que a alocação em ações passou de 10% para 15%, diminuindo-se para 30% as alocações em renda fixa de curto prazo.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 02/10/2017

Índices de Referência – Agosto / 2017

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