Nossa Visão – 25/09/2017

Retrospectiva

E o Supremo Tribunal Federal, por 10 votos a 1, decidiu enviar para a Câmara dos Deputados, a denúncia feita pela procuradoria geral da República contra o presidente Temer, por organização criminosa e obstrução de Justiça. Provavelmente nesta terça-feira, a denúncia será lida no plenário da Câmara, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido até que seja efetivamente votada. Assim, o andamento da reforma da Previdência ficou significativamente comprometido.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a inflação do consumidor ficou efetivamente em 1,5% na base anual, em agosto. Por outro lado, os PMIs indicaram em setembro que as empresas privadas da região encerraram o terceiro trimestre do ano com um crescimento muito mais forte que o esperado.

Nos EUA, o FED manteve inalterada a sua taxa de juros entre 1% e 1,25% aa e anunciou que vai iniciar em outubro a normalização de seu balanço patrimonial de US$ 4,2 trilhões, encerrando assim os estímulos aplicados desde a crise de 2008.

Nos mercados de ações internacionais a semana foi de altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 0,59%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, avançou 1,26%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,08% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 1,94%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-S, que havia caído 0,01% na segunda quadrissemana de setembro, caiu 0,07% na terceira. Já o IPCA-15, prévia da inflação oficial, desacelerou mais que o esperado em setembro e teve alta de 0,11%, após avanço de 0,35% em agosto. O grupo alimentação e bebidas tiveram grande responsabilidade no número final, ao apresentarem queda de 0,94%.

Na semana que passou, o Banco Central divulgou o Relatório Trimestral de Inflação, em que reduziu as estimativas para a inflação de 2017 para uma alta de 3,2% e a de 2018 para uma alta de 4,3%. A de 2019 foi estimada em 4,2%, abaixo da meta de 4,25% e a de 2020 em 4,1%.

Para a bolsa brasileira, foi uma semana de realização de lucros, com o Ibovespa caindo 0,48%, mas acumulando alta de 25,18% no ano e de 28,44% em doze meses. O dólar, por sua vez subiu 0,10%, reduzindo a variação negativa para 4,01% no ano. O IMA-B Total, por sua vez avançou 0,66% na semana, acumulando alta de 13,03% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 2,97% em 2017, frente a expectativa de 3,08% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,08%, frente a 4,12% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que agora, para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 7%, como na pesquisa anterior e para o final de 2018 também em 7%, frente a 7,25% na última pesquisa.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,68%, frente a 0,60% na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,30%, comparado a 2,20% no último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,16, no fim de 2017, frente a R$ 3,20 na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,30, como no último relatório.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 75 bilhões em 2017 e 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da confiança e da inflação do consumidor em setembro.

Nos EUA, teremos vários pronunciamentos de membros do FED sobre política monetária, a divulgação da confiança do consumidor em setembro e de nova estimativa do PIB do segundo trimestre.

No Brasil, serão divulgados os indicadores parciais de inflação, a taxa de desemprego e o resultado fiscal e das transações correntes em agosto.

No exterior, as atenções estarão voltadas para os pronunciamentos dos membros do FED, em um momento em que são novamente discutidas a alta dos juros e no Brasil, teremos a divulgação do resultado fiscal de agosto, em um momento novamente complicado para o andamento das reformas.

Entendemos que, dado o expressivo avanço já ocorrido com os índices que referenciam os fundos de investimentos em títulos públicos, em julho, agosto e setembro, no ano e em doze meses, por conta da queda da inflação e da redução da taxa Selic, o momento é de realização dos lucros obtidos com as aplicações de longuíssimo prazo.

Permanecer com uma exposição no vértice de longuíssimo prazo neste momento de ainda grandes incertezas, pode não representar ganhos expressivos em função do fator risco a ser incorrido. Assim, recomendamos uma exposição de 30% no vértice de longo prazo, representado pelo IMA-B Total.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) mantemos a nossa recomendação de uma exposição de 10%. Os recursos saídos do longuíssimo prazo deverão ser migrados para as aplicações em fundos DI, cuja alocação agora sugerida é de 30%. Lembramos que para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 3.922/2010, o percentual máximo de alocação em fundos enquadrados no Artigo 7º, Inciso IV é de 30%. A estratégia ora recomendada mantém a perspectiva de bom retorno ao mesmo tempo em que reduz o risco total da carteira.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, passamos a recomendar a exposição máxima de 30%, por conta da crescente melhoria das expectativas com a atividade econômica no próximo ano, que deverá refletir em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores. Assim, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), a alta na parcela de renda variável para 30%, considera que a alocação em ações passou de 10% para 15%, diminuindo-se para 30% as alocações em renda fixa de curto prazo.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 22/09/2017

Índices de Referência – Agosto / 2017

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