Nossa Visão – 18/09/2017

Retrospectiva

Na última semana de trabalho do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o STF decidiu acatar seu novo pedido de abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer. Desta feita, a suspeita é de que o presidente pode estar envolvido em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na edição de um decreto que mudou regras portuárias. Dessa forma, parece que a votação das reformas fica ainda mais distante.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a produção industrial avançou 0,1% em julho, após ceder 0,6% um mês antes. O resultado foi impulsionado principalmente pelos investimentos corporativos e pelos bens de consumo duráveis.

Nos EUA, foi divulgado que a inflação do consumidor em agosto foi de 0,4%, maior do que a prevista pelos analistas. Na base anual, a inflação ficou em 1,9%, próxima da meta do FED.

Por sua vez, as vendas no varejo recuaram surpreendentemente em agosto, principalmente devido a uma queda nas vendas dos automóveis. Também a confiança do consumidor recuou em setembro, mais do que se previa.

Nos mercados de ações internacionais a semana teve mais altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 1,75%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, caiu 2,20%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana avançou 1,58% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 3,29%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-S, que havia subido 0,10% na primeira quadrissemana de setembro, caiu 0,01% na segunda. Por sua vez, o IGP-M, a inflação do aluguel, que subiu 0,34% na primeira prévia de setembro, teve a alta elevada para 0,41% na segunda, ainda por conta de preços maiores no atacado.

Quanto à atividade econômica, o IBC-Br, prévia do PIB, registrou alta de 0,41% em julho, frente a junho e de 1,48% em doze meses. Já as vendas no varejo ficaram estáveis em julho, na comparação com o mês anterior e cresceu 3,1% em um ano.

Por outro lado, na ata da última reunião do Copom, em que a taxa Selic foi reduzida de 9,25% para 8,25% aa, o Banco Central chegou a discutir os benefícios de um fim tempestivo do ciclo de afrouxamento monetário, mas julgou mais benéfico o encerramento gradual diante do cenário atual.

Para a bolsa brasileira, foi outra semana de alta, com o Ibovespa atingindo o seu recorde histórico. O índice subiu 3,66%, acumulando alta de 25,78% no ano e de 32,72% em doze meses. O dólar, por sua vez subiu 1,12%, reduzindo a variação negativa para 4,10% no ano. O IMA-B Total, por sua vez caiu 0,26% na semana, acumulando alta de 12,29% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,08% em 2017, frente a expectativa de 3,14% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,12%, frente a 4,15% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que agora, para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 7%, como na pesquisa anterior e para o final de 2018 também em 7%, frente a 7,25% na última pesquisa.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,60%, como na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,20%, comparado a 2,10% no último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,20, no fim de 2017, como na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,30, frente a R$ 3,35 no último relatório.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 75 bilhões em 2017 e 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da inflação do consumidor em agosto e da confiança do consumidor em setembro.

Nos EUA, teremos a reunião do FED sobre política monetária.

No Brasil, serão divulgados os indicadores parciais de inflação, e o Relatório de Inflação do terceiro trimestre.

No exterior, as atenções estarão voltadas para a reunião do FED, que deverá manter a taxa básica de juros entre 1% e 1,25% e no Brasil, teremos a divulgação do IPCA-15 e do Relatório Trimestral de Inflação, já de olho nos próximos passos do Copom.

Entendemos que, dado o expressivo avanço já ocorrido com os índices que referenciam os fundos de investimentos em títulos públicos, em julho, agosto e setembro, no ano e em doze meses, por conta da queda da inflação e da redução da taxa Selic, o momento é de realização dos lucros obtidos com as aplicações de longuíssimo prazo.

Permanecer com uma exposição no vértice de longuíssimo prazo neste momento de ainda grandes incertezas, pode não representar ganhos expressivos em função do fator risco a ser incorrido. Assim, recomendamos uma exposição de 30% no vértice de longo prazo, representado pelo IMA-B Total.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) mantemos a nossa recomendação de uma exposição de 10%. Os recursos saídos do longuíssimo prazo deverão ser migrados para as aplicações em fundos DI, cuja alocação agora sugerida é de 30% e para as aplicações no IRF-M 1, com alocação sugerida de 5%. Lembramos que para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 3.922/2010, o percentual máximo de alocação em fundos enquadrados no Artigo 7º, Inciso IV é de 30%. A estratégia ora recomendada mantém a perspectiva de bom retorno ao mesmo tempo em que reduz o risco total da carteira.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), além das realizadas em ações (10%), que vêm trazendo importante retorno ao longo deste ano.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 18/09/2017

Índices de Referência – Agosto / 2017

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