Nossa Visão – 11/09/2017

Retrospectiva

Na semana que passou, as confusões derivadas da Operação Lava Jato se acentuaram com a reversão da aceitação da delação premiada dos membros da JBS e a homologação da delação premiada de Lúcio Funaro, tido como operador do PMDB.

Pelo lado do legislativo, o Congresso aprovou a proposta que prevê déficit fiscal de R$ 159 bilhões em 2017 e 2018 e o Senado aprovou, depois da Câmara dos Deputados, o texto-base que cria a Taxa de Longo Prazo – TLP. Além disso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, informou que pautará a votação da reforma da Previdência em outubro, após a apreciação da reforma política.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, o PIB do segundo trimestre evoluiu de forma mais robusta ao avançar 0,6% frente ao primeiro e 2,3% na base ano, já as vendas no varejo em julho cresceram 2,6% na base anual, assim como indicavam as estimativas.

Por seu turno, o Banco Central Europeu – BCE, manteve as taxas de juros inalteradas em 0,25% a de empréstimo marginal e de -0,4% a de depósitos. Comunicou que vai manter até dezembro os estímulos mensais de 60 bilhões de euros e deixou a porta aberta para aumenta-los se necessário.

Nos EUA, foi divulgado o Livro Bege, que indicou uma atividade econômica moderada no país, além da queda de 3,3% dos pedidos industriais em julho.

Nos mercados de ações internacionais a semana teve mais baixas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 1,33%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, caiu 0,82%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,61% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 2,12%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-S, que havia subido 0,13% em agosto, reduziu sua alta para 0,10% na primeira quadrissemana de setembro. Por sua vez, o IGP-M, a inflação do aluguel, que registrou alta de 0,10% em agosto, subiu 0,34% na primeira prévia de setembro, por conta de preços maiores no atacado.

Conforme o IBGE, o IPCA de agosto subiu 0,19%, a menor taxa para o mês em sete anos, por conta da alimentação mais barata. No ano a taxa acumulada ficou em 1,62% e em doze meses em 2,46%. O INPC, por sua vez, avançou 0,17% em agosto, acumulando alta de 1,27% no ano e de 1,73% em doze meses.

Quanto à atividade econômica, a produção industrial em julho surpreendeu ao subir 0,8% em relação ao mês anterior e 2,5% comparada a um ano atrás. Foi o quarto mês de alta seguida.

Já o Banco Central, através da reunião do Copom, cortou a taxa Selic pela oitava vez consecutiva, reduzindo-a de 9,25% para 8,25% aa. A decisão foi unânime e no comunicado após a reunião sinalizou que deve reduzir o ritmo de corte na próxima reunião.

Para a bolsa brasileira, foi outra semana de alta, com o Ibovespa atingindo quase o seu recorde histórico. O índice subiu 1,61%, acumulando alta de 21,34% no ano e de 26% em doze meses. O dólar, por sua vez caiu 1,36%, aumentando a variação negativa para 5,16% no ano. O IMA-B Total, por sua vez subiu 1,30% na semana, acumulando alta de 12,58% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,14% em 2017, frente a expectativa de 3,38% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,15%, frente a 4,18% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que agora, para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 7%, frente a 7,25% na pesquisa anterior e para o final de 2018 em 7,25%, frente a 7,50% na última pesquisa.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,60%, frente a 0,50% na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,10%, comparado a 2% no último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,20, no fim de 2017, como na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,35, também como no último relatório.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 75 bilhões em 2017 e 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da produção industrial em julho e da evolução do emprego no segundo trimestre.

Nos EUA, serão divulgadas a inflação do consumidor, a produção industrial e as vendas no varejo em agosto.

No Brasil, serão divulgados os indicadores parciais de inflação, as vendas no varejo e o IBC-Br em julho.

No exterior, as atenções estarão voltadas para os indicadores de atividade na zona do euro e nos EUA. No Brasil, o mercado financeiro deverá acentuar o debate até onde o BC levará a taxa Selic, já que o fim do ciclo de cortes está se aproximando, com a atividade econômica melhor que o esperado e também no aguardo de novas ações da PRG, no final do mandato de Rodrigo Janot.

Entendemos que, dado o expressivo avanço já ocorrido com os índices que referenciam os fundos de investimentos em títulos públicos, em julho, agosto e setembro, no ano e em doze meses, por conta da queda da inflação e da redução da taxa Selic, o momento é de realização dos lucros obtidos com as aplicações de longuíssimo prazo.

Permanecer com uma exposição no vértice de longuíssimo prazo neste momento de ainda grandes incertezas, pode não representar ganhos expressivos em função do fator risco a ser incorrido. Assim, recomendamos uma exposição de 30% no vértice de longo prazo, representado pelo IMA-B Total.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) mantemos a nossa recomendação de uma exposição de 10%. Os recursos saídos do longuíssimo prazo deverão ser migrados para as aplicações em fundos DI, cuja alocação agora sugerida é de 30% e para as aplicações no IRF-M 1, com alocação sugerida de 5%. Lembramos que para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 3.922/2010, o percentual máximo de alocação em fundos enquadrados no Artigo 7º, Inciso IV é de 30%. A estratégia ora recomendada mantém a perspectiva de bom retorno ao mesmo tempo em que reduz o risco total da carteira.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), além das realizadas em ações (10%), que vêm trazendo importante retorno ao longo deste ano.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 08/09/2017

Índices de Referência – Agosto/2017

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