Nossa Visão – 04/09/2017

Retrospectiva

Enquanto o presidente Temer viajava para a China, para participar da 9ª reunião de cúpula dos Brics, o Congresso Nacional não conseguia concluir, por falta de quórum, a votação do projeto que aumenta a previsão de rombo nas contas públicas em 2017 e 2018. Assim, o Ministério do Planejamento foi obrigado a enviar a proposta de Orçamento para 2018 prevendo um déficit de R$ 129 bilhões, em vez de R$ 159 bilhões como estava previsto.  Uma espécie de emenda com as alterações necessárias terá que ser então enviado ao Congresso.

Na esfera política, enquanto a discussão das reformas não é retomada, aguarda-se a possibilidade do procurador-geral da República, Rodrigo Janot apresentar nova denúncia contra o presidente Temer. Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, não há como negar que o governo perdeu força dentro do Congresso Nacional, diante da expectativa dessa segunda denúncia.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a inflação do consumidor acelerou mais do que o esperado em agosto ao atingir 1,5% na base anual, o nível mais alto em quatro meses. E o PMI industrial também acelerou atingindo os 57,4 pontos em agosto, acima dos 56,6 pontos de julho.

Quanto a taxa de desemprego na zona do euro, ela foi de 9,1% em julho, exatamente o mesmo percentual verificado em junho e igual ao que era esperado pelos economistas.

Nos EUA, foi divulgado que a confiança dos consumidores aumentou em agosto, superando as expectativas dos analistas, ao atingir os 122,9 pontos, contra 120 do mês anterior. Já a criação de novas vagas de trabalho não rural foi de 156 mil postos, quando se esperava a criação de 200 mil. A taxa de desemprego, que era de 4,3% em julho, subiu para 4,4% no mês posterior.

De acordo com a segunda estimativa, o PIB do segundo trimestre deste ano cresceu 3%, quatro décimos acima da primeira estimativa e superou as previsões. O resultado foi alcançado graças aos gastos robustos dos consumidores e aos fortes investimentos empresariais.

Nos mercados de ações internacionais a semana foi novamente mais de altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã caiu 0,21%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, subiu 0,50%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 1,37% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 1,23%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-S, que havia subido 0,33% na terceira quadrissemana de agosto, reduziu sua alta para 0,13% na última. Já o IPC-Fipe, que subiu 0,22 na terceira quadrissemana, também desacelerou a alta na última, quando registro avanço de 0,10%.

Por sua vez, o IGP-M, a inflação do aluguel, voltou a subir em agosto após quatro meses de deflação. O índice registrou alta de 0,10% nesse mês, após recuo de 0,72% em julho.

Conforme o IBGE, o PIB brasileiro no segundo trimestre deste ano cresceu 0,2% sobre o anterior e 0,3% na base anual. Enquanto o setor agropecuário ficou estável, a indústria registrou queda de 0,5% e o setor de serviços avanço de 0,6%.

Também conforme o IBGE, a taxa de desemprego no país caiu de 13,6 no trimestre encerrado em junho, para 12,8% no trimestre encerrado em julho. Mês em que o país tinha 13,3 milhões de desempregados.

Para a bolsa brasileira, foi outra semana de alta, com o Ibovespa atingindo o seu maior patamar desde 2010. O índice subiu 1,20%, acumulando alta de 19,42% no ano e de 20,64% em doze meses. O dólar, por sua vez caiu 0,41%, aumentando a variação negativa para 3,86% no ano. O IMA-B Total, por sua vez subiu 0,36% na semana, acumulando alta de 11,14% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,38% em 2017, frente a expectativa de 3,45% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,18%, frente a 4,20% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que agora, para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 7,25%, como na pesquisa anterior e para o final de 2018 em 7,50%, também como na última pesquisa.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,50%, frente a 0,39% na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,00%, também como no último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,20, no fim de 2017, frente a R$ 3,23 na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,35, frente a R$ 3,38 no último relatório.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 75 bilhões em 2017 e de US$ 76,75 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, das vendas no varejo em julho e do PIB do segundo trimestre, além da realização de nova reunião do BCE para deliberar sobre as taxas de juros.

Nos EUA, serão divulgados o Livro Bege, a confiança do consumidor em setembro e as encomendas às indústrias em julho.

No Brasil, serão divulgados os indicadores parciais de inflação, o IPCA de agosto, a produção industrial em julho, além de nova reunião do Copom.

No exterior, as atenções estarão voltadas para a reunião do BCE, em um momento em que a discussão sobre a retirada dos estímulos quantitativos se acentua e no Brasil, em semana cortada por feriado, o mercado estará atento, principalmente à reunião do Copom, onde nova redução de 1% da taxa Selic poderá acontecer. Mas, mais importante que isso será o comunicado pós reunião e a ata, num momento em que as tensões internacionais com a Coréia do Norte se intensificam, o trâmite das reformas está parado e é aguardada nova investida da PGR contra o presidente Temer.

Entendemos que, dado o expressivo avanço já ocorrido dos índices que referenciam os fundos de investimentos em títulos públicos, em julho, no ano e em doze meses, por conta da queda da inflação e da redução da taxa Selic, por um lado. E da piora do quadro fiscal e do aumento da inflação por conta dos preços mais altos dos combustíveis, por outro, é chegado o momento de revermos a alocação recomendada e sugerir a realização dos lucros obtidos com as aplicações de longuíssimo prazo.

Permanecer com uma exposição no vértice de longuíssimo prazo neste momento de maiores incertezas, pode não representar ganhos expressivos em função do fator risco a ser incorrido. Assim, recomendamos uma exposição de 30% no vértice de longo prazo, representado pelo IMA-B Total.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) mantemos a nossa recomendação de uma exposição de 10%. Os recursos saídos do longuíssimo prazo deverão ser migrados para as aplicações em fundos DI, cuja alocação agora sugerida é de 30% e para as aplicações no IRF-M 1, com alocação sugerida de 5%. Lembramos que para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 3.922/2010, o percentual máximo de alocação em fundos enquadrados no Artigo 7º, Inciso IV é de 30%. A estratégia ora recomendada mantém a perspectiva de bom retorno ao mesmo tempo em que reduz o risco total da carteira.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), além das realizadas em ações (10%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 04/09/2017

Índices de Referência – Julho / 2017

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