Nossa Visão – 28/08/2017

Retrospectiva

Na semana que passou, a reforma política teve duas propostas aprovadas em comissões e agora serão apreciadas pelo plenário do Congresso Nacional, onde necessitam de 308 votos para serem aprovadas. Também a medida provisória 777, que cria a Taxa de Longo Prazo – TLP, foi aprovada na Câmara dos Deputados e agora começa a ser discutida no Senado.

A TLP é a nova taxa de juros que será utilizada pelo BNDES na concessão de empréstimos de longo prazo e por ser próxima dos juros cobrados pelo mercado, permitirá ao Tesouro Nacional reduzir os gastos com empréstimos subsidiados, uma das principais fontes de desequilíbrio das contas federais.

No âmbito do governo federal, o Ministério de Minas e Energia informou que vai propor ao Programa de Parcerias e Investimentos – PPI a venda de ações da União na Eletrobrás. A expectativa é de arrecadar entre R$ 20 e R$ 30 bilhões, que ajudariam a conter o déficit nas contas públicas em 2018. A Eletrobrás é um conglomerado gigante de empresas e dona de mais de 200 usinas de geração de energia. Ela responde pela oferta de mais da metade da energia elétrica consumida no país.

Além da Eletrobrás, cinquenta e sete bens do estado foram incorporados ao programa de privatizações e concessões impulsionado pela gestão do presidente Temer, a ser executado entre 2017 e 2018. A Casa da Moeda, estradas, aeroportos e portos integram a relação.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, o PMI industrial atingiu 57,4 pontos em agosto, quando a expectativa era de 56,3 pontos. No mês anterior foi de 56,6 pontos.

Nos EUA, foi divulgado que os pedidos de bens duráveis recuaram 6,8% em julho, em relação ao mês anterior, quando a expectativa era de uma queda de 6%. Já o PMI industrial de agosto caiu para 52,5 pontos, quando em julho tinha chegado aos 53,3 pontos. A expectativa era de que subisse para 53,5 pontos.

Nos mercados de ações internacionais a semana foi mais de altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 0,02% e o FTSE-100, da bolsa inglesa, 1,06%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, evoluiu 0,72% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa caiu 0,09%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-S, que havia subido 0,40% na segunda quadrissemana de agosto, reduziu sua alta para 0,33% na terceira. Já o IPCA-15, cuja expectativa de alta era de 0,40%, surpreendeu e variou 0,35%.

Em julho, as transações correntes apresentaram déficit de US$ 3,4 bilhões, acumulando em doze meses déficit de US$ 13,8 bilhões. Já os investimentos diretos nesse mês totalizaram US$ 4,1 bilhões, acumulando US$ 40,4 bilhões apenas de janeiro a julho de 2017.

Para a bolsa brasileira, foi outra semana de alta. O Ibovespa subiu 3,43%, acumulando alta de 18,01% no ano e de 23,14% em doze meses. O dólar, por sua vez caiu 0,61%, aumentando a variação negativa para 3,46% no ano. O IMA-B Total, por sua vez subiu 0,41% na semana, acumulando alta de 11,52% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,45% em 2017, frente a expectativa de 3,51% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,20%, como na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que agora, para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 7,25%, frente a 7,50% na pesquisa anterior e para o final de 2018 em 7,50%, como na última pesquisa.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,39%, frente a 0,34% na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,00%, também como no último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,23, no fim de 2017, como na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,38, frente a R$ 3,39 no último relatório.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 75 bilhões em 2017 e de US$ 76,75 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da inflação, da confiança do consumidor e o PMI industrial em agosto e a taxa de desemprego em julho.

Nos EUA, serão divulgados a confiança do consumidor, o PMI industrial e a taxa de desemprego em agosto, bem como a segunda prévia do PIB do segundo trimestre.

No Brasil, serão divulgados, os indicadores parciais de inflação, o IGP-M de agosto e o PIB do segundo trimestre deste ano.

No exterior as atenções estarão voltadas para os dados de emprego e atividade nos EUA. No Brasil, o mercado estará atento ao IGP-M de agosto, bem como ao PIB do segundo trimestre, em semana que antecede nova reunião do Copom.

Entendemos que, dado o expressivo avanço já ocorrido dos índices que referenciam os fundos de investimentos em títulos públicos, em julho, no ano e em doze meses, por conta da queda da inflação e da redução da taxa Selic, por um lado. E da piora do quadro fiscal e do aumento da inflação por conta dos preços mais altos dos combustíveis, por outro, é chegado o momento de revermos a alocação recomendada e sugerir a realização dos lucros obtidos com as aplicações de longuíssimo prazo.

Permanecer com uma exposição no vértice de longuíssimo prazo neste momento de maiores incertezas, pode não representar ganhos expressivos em função do fator risco a ser incorrido. Assim, recomendamos uma exposição de 30% no vértice de longo prazo, representado pelo IMA-B Total.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) mantemos a nossa recomendação de uma exposição de 10%. Os recursos saídos do longuíssimo prazo deverão ser migrados para as aplicações em fundos DI, cuja alocação agora sugerida é de 30% e para as aplicações no IRF-M 1, com alocação sugerida de 5%. Lembramos que para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 3.922/2010, o percentual máximo de alocação em fundos enquadrados no Artigo 7º, Inciso IV é de 30%. A estratégia ora recomendada mantém a perspectiva de bom retorno ao mesmo tempo em que reduz o risco total da carteira.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), além das realizadas em ações (10%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 25/08/2017

Índices de Referência – Julho / 2017

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